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Motociclistas e a violência no trânsito. Confira a entrevista com o professor David Lima, presidente do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito

Publicado em quinta-feira, 26 de outubro de 2017

davidduartelima.pngDados do último Boletim Estatístico da Seguradora Líder mostram que, entre janeiro e setembro de 2017, seguindo a mesma tendência dos anos anteriores, a motocicleta representou a maior parte das indenizações pagas por morte e invalidez permanente pelo Seguro DPVAT. Esse número se torna ainda mais alarmante quando constatamos que esse veículo representa apenas 27% da frota nacional. A maioria das vítimas dos acidentes envolvendo motocicletas tem entre 18 e 34 anos, idade considerada economicamente ativa. Estudos afirmam que, se o risco de morrer em uma colisão de automóvel já é bastante significativo, sobre uma motocicleta as chances são 20 vezes maiores.

Para falar melhor sobre como esses números afetam os motociclistas, convidamos David Duarte Lima, professor da Universidade de Brasília e presidente do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST) para uma entrevista. Confira abaixo.

Por que investir em segurança para os motociclistas?

O investimento em ações para esse grupo é muito lucrativo e tem um amplo benefício. Ainda nos anos 80, realizei uma pesquisa que constatou que, para cada real investido na prevenção de acidentes, o Governo deixa de gastar cinco reais em custos como tratamento médico e previdência. E, para esse tipo de condutor, que é o mais atingido nos acidentes de trânsito, o investimento deve ser urgente. Atualmente, estou produzindo um livro focado justamente nessa questão, que é a segurança básica na pilotagem de motos.

Na sua opinião, quais são as medidas para diminuir os elevados índices de morte e invalidez permanente em motociclistas?

Em primeiro lugar, acredito que os exames para essa categoria devem ser rigorosos nas autoescolas e focados para mudar o estilo de pilotagem para algo mais defensivo. Também se faz absolutamente necessário educar para o trânsito desde cedo, de modo a evitar os acidentes. Precisamos também de um bom plano de redução de acidentes de trânsito no Brasil, à luz do que foi feito na Espanha, que desde 1989, conseguiu reduzir o número de acidentes em 82%.

Como surgiu seu interesse em estudar os índices de acidentes de trânsito? Por que o foco em motociclistas?

Desde minha formação em Estatística, no final dos anos 70, quando comecei a ter contato com os índices sobre os acidentes de trânsito, me interessei em estudá-los. Mas foi somente em 1985, na ocasião do meu doutorado na Universidade Livre de Bruxelas, que comecei a produzir artigos sobre os custos dos acidentes no Brasil. Meu interesse em estudar os índices relacionados aos motociclistas se deve ao fato deles serem as maiores vítimas do trânsito e possuírem uma formação rudimentar nas autoescolas.

Qual é o papel do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST), do qual é Presidente?

O IST é uma organização não-governamental surgida em 1994 e que eventualmente apoia o Governo no sentido de promover ações de segurança no trânsito. Já formamos mais de 6.000 instrutores de trânsito e durante 5 anos, nos dedicamos ao voluntariado com jovens infratores em Brasília, onde o Instituto tem uma participação mais ativa. Somos apartidários e, no nosso escopo de atuação, temos feito pesquisas constantes sobre melhorias no trânsito, que se transformam em propostas repassadas ao poder público local. Atualmente, temos trabalhado num projeto de criação de uma Associação de Vítimas de Trânsito em Brasília.

Para conhecer os projetos do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST), acesse o site http://ist.org.br/

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